Por que ótimo e excelente raramente cabem na redação

Ótimo e excelente são graus superlativos e carregam entusiasmo. Num texto dissertativo, que se apoia em análise e não em opinião entusiasmada, eles quase sempre destoam.

Positivo, favorável e benéfico são as escolhas de texto argumentativo, e as três dizem coisas diferentes: positivo é um juízo, favorável é em relação a alguma coisa, benéfico afirma que faz bem.

Um teste simples: se a frase aceita "para quem?", então favorável é a palavra; se aceita "a quê?", benéfico. Se não aceita nenhuma das duas, provavelmente a frase está vaga e o problema não é de vocabulário.

Escolher o sinônimo certo, não só um qualquer

Sinônimo perfeito quase não existe. Duas palavras podem apontar para a mesma coisa e ainda assim mudar o tom da frase, o grau do que se afirma ou o tipo de texto em que cabem. Trocar uma palavra sem olhar para isso é como o corretor automático que conserta a grafia e estraga o sentido.

Três perguntas resolvem a maioria dos casos. O sinônimo tem o mesmo grau de intensidade? Serve para o mesmo tipo de sujeito, coisa ou pessoa? E pertence ao mesmo registro, formal ou coloquial, do resto do texto?

O jeito mais rápido de conferir é ler a frase inteira em voz alta com a palavra nova no lugar. Se travar na leitura, não é a escolha certa, por mais que o dicionário aprove.

Por que a repetição incomoda

Numa redação de vestibular, repetir a mesma palavra em parágrafos seguidos custa ponto na competência de linguagem. Não porque a palavra esteja errada, mas porque o corretor lê aquilo como vocabulário curto.

O problema costuma estar em duas ou três palavras apenas, e quem escreveu raramente percebe quais. A aba Achar repetições no texto, logo acima, recebe o texto inteiro e aponta cada uma, da mais frequente para a menos.

Vale lembrar que nem toda repetição é defeito. Repetir de propósito, para insistir numa ideia, é recurso de estilo; o que pesa é a repetição involuntária, aquela que aparece porque não veio outra palavra à cabeça.